quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Do you really want to live forever?


Como uma tola criança, acreditei que o mundo melhoraria quando crescesse. O que tinha eu na cabeça naquela época? Tudo que eu pensei não aconteceu. Não foi um belo dia que eu pus os pés na rua e as pessoas me cercearam dançando e cantando e me atirando flores como num musical da Broadway, isso não aconteceu nem nunca irá acontecer —. Comentei há pouco em algum texto que eu não gostaria de voltar no tempo, mas se bem que, eu até voltaria só para analisar bem o que era eu anos atrás. Riria dessa criança talvez, mas sobretudo, a compreenderia de alguma forma. A vida não melhora quando crescemos porque o mundo não perdoa os mais velhos, ela faz justamente espancar e espancar seus sentimentos até chegar certo ponto que eles não valem para mais nada, tornam-se inúteis, anestesiados. No mundo dos adultos (lê-se real), as pessoas não creem em Deus ou outro ser superior, elas creem em dinheiro, muito dinheiro, rios de dinheiro, e sexo. Por isso, devo pensar bem em como vai ser quando completarei 18 anos, em como devo agir para não ser morto na guerra atroz que o mundo se tornou.
Forever young, I want to be forever young. Alguns, como o hit oitentista do Alphaville descreve, tem desejo de estarem jovens para sempre. Dizer que a "Síndrome de Peter Pan" é uma tática psicológica para manter-se estável no mundo não é muito delicado, mas talvez seja isso mesmo. O mais irônico é que, enquanto adolescentes, nosso desejo mais latente é o de tornar-se maduro, mas à medida que o tempo passa e as pessoas e o nosso redor se modifica, percebemos que estar jovem é o que é. Como definiríamos nossa juventude, adolescência? Ainda quero ser herói de alguém, ainda quero conquistar meus objetivos e tirá-los do papel. Mas, mais ainda, quero fazer-me compreender e o mundo que a idade é a porcaria de um número estúpido que não necessariamente indica maturidade, tampouco experiência.
— [M]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

[Music & Letter] 30 Seconds to Mars - "Was it a Dream?"

Escrita por Jared Leto e performada por sua banda, 30 Seconds To Mars, "Was it a Dream?" é uma música que presume ser uma mensagem sobre alguma relação acabada, mas eternizada na memória. A ambiguidade das lembranças também são mencionadas, como quando o eu lírico quer esquecer de tudo no trecho "Seu reflexo, eu apaguei / Como mil "ontens" queimados / Acredite-me quando eu digo adeus para sempre", ou quando se questiona se tudo era um sonho (" Foi um sonho? / Essa é a única evidência que me prova / Eu e você, em uma fotografia").
Sua proteção é onde vou me esconder
Suas muralhas construídas lá dentro
Sim, sou um bastardo egoísta
Mas, ao menos, não estou sozinho

Minhas intenções nunca mudam
O que eu quero, continua o mesmo
E eu sei o que tenho que fazer
Chegou a hora de me atirar no fogo

Foi um sonho?
Foi um sonho?

O passado é uma bela mentira!

"O passado é só uma história que contamos à nós mesmos"
(Her)
Quão doce e saudoso são seus momentos em suas lembranças? O quanto você queria estar lá, reviver tudo aquilo, de novo e de novo? As últimas pesquisas e experimentos sobre memória humana apontam que as nossas lembranças são afetadas por nossas emoções, e portanto, podem carregar um quê de imaginação ou equívoco quanto o que realmente aconteceu. E eu sei disso como ninguém. Posso ter várias lembranças, às vezes até de coisas que nunca aconteceram ou de épocas que eu simplesmente não vivi. Às vezes, aquela pessoa que você amava muito pode parecer tão perfeita, e tão e tão linda nas suas lembranças, mas isso não é bem verdade. Quando amamos ou lembramos de algo, nossos olhos se fingem de tolos, ignoram quaisquer defeitos que aquilo pode ter. E as pessoas tem defeitos, muitos deles, outras até mais que qualidades, mas elas sempre serão doces e nos despertaram a nostalgia em nossa memória, principalmente quando estamos insatisfeitos com nosso presente. Se me perguntassem se eu gostaria de voltar e reviver algumas coisas do passado, eu diria que sim, sem dúvidas. Mas se eu analisar friamente tudo que me aconteceu em todas as fases da minha vida, diria que não, sem dúvidas. Eu poderia reparar algum erro que fiz? Poderia voltar lá naquela cena e dizer o que o medo me vetou de fazer? Não, não poderia, porque tudo isso faz parte de mim agora, e me fez aprender muito sobre.
Por isso, diria que arrependimento, saudade e nostalgia e o que for nunca são coisas literalmente válidas, pois nosso cérebro trabalha com emoções em cima delas, distorcem os fatos de verdade. Eu diria que, para quem quer que seja que gosta de viver no passado, que pare de fazer isso agora. Pense no futuro. Lembre-se que a Teoria Geral da Relatividade de Einstein só permitiria uma viagem pro futuro, então alguma coisa de boa nos aguarda lá.
[M]

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

[Quote] "Nós somos infinitos" em "The Perks of Being a Wallflower"

Em "The Perks of Being a Wallflower" (No Brasil, As Vantagens de ser Invisível), o protagonista Charlie, de 16 anos, tem sérios problemas de relacionamento na escola, até conhecer Patrick e Sam, que o inclui em um mundo alternativo aos populares do colégio. Além de gostos em comum para música e filmes, Charlie se vê parte das pessoas de seu grupo à ponto de amá-los profundamente.
Em dado momento do filme e livro, ele reflete sobre tudo isso.
Tem gente que esquece o que é ter 16 anos quando faz 17.
Sei que tudo será história um dia e que nossas fotos vão se tornar lembranças. E todos nós nos tornaremos mães e pais de alguém. Mas no momento, estes instantes não são histórias. Tá acontecendo, e eu estou aqui e tô olhando pra ela porque ela é tão linda. Eu consigo perceber. O momento em que você sabe não ser uma história triste. Você tá vivo. Você se levanta e vê a luzes dos prédios e tudo que te faz pensar. Ouve aquela música na estrada com as pessoas que você mais ama no mundo. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.

A sequência do túnel tem como trilha a música "Heroes" do David Bowie.

Constante inconstante



Era uma vez um garoto cujo sonho era o de ser astronauta. Horas e mais horas passavam-se, e ele, no auge de sua curiosidade, empunhava livros e revistas sobre astronomia em todo lugar que passava. Seu planeta preferido do sistema solar era Saturno, os anéis do mesmo o encantavam, mas ele não sabia que Urano também tinha anéis. Imaginava, com calafrios, em como seria gélido viver no planeta Plutão, bem, até descobrir pouco tempo depois que ele não era mais considerado um planeta. Anos se passaram, e aquela criança passou a compartilhar o interesse em astronomia com a biologia marinha, queria ser os dois, estar em dois lugares tão remotos e inexplorados era especialmente excitante. Mais anos se passaram, a adolescência batia à porta, e ele esqueceu de tudo, voltando-se agora para tecnologia, queria ser um game design ou algo do tipo, algo bem mais crível que aqueles (tolos) desejos de criança. Embora jurasse, esse não foi seu objetivo definitivo, e aos quinze já descobrira um dom promissor com a escrita. Hoje em dia ele quer ser roteirista, viver de sua escrita, mas se pergunta se isso vai mudar algum dia, ele não quer perder esse interesse, deixar-se levar pela realidade. Viver um sonho é bem mais interessante quando o real é assustador, e portanto, não se pode deixar a vida moldar seus pensamentos, te prender em algum escritório trajando terno e gravata e digitando planilhas e coisas do tipo. Às vezes a inconstância é assustadora, e me pego hoje imaginando em como meus planos mudaram, encolheram. Mas sonhos são sonhos e não devemos julgá-los, porque é a comunicação mais profunda que temos com nós mesmos.
[M]

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[Music & Letter] Gotye - "Somebody That I Used To Know" (feat. Kimbra)


A música "Somebody That I Used To Know" composta por Wally De Backer e interpretada pelo mesmo (sob nome artístico de) Gotye ao lado de Kimbra, tem uma letra que retrata uma relação amorosa mal acabada e que ainda machuca ambos os envolvidos, que guardam rancor da antiga afeição. A letra e a interpretação dão um show à parte, cumprindo bem a intenção de parecer uma verdadeira discussão de um antigo casal.
*As partes que me tocam mais estão em negrito. 

 GOTYE: 
Ás vezes penso em quando nós estávamos juntos
Como quando você disse que se sentiu tão feliz que poderia morrer
Disse a mim mesmo que você foi certa para mim
Mas me sentia tão sozinho em sua companhia
Mas aquilo era amor e isso é uma dor que eu ainda me lembro


Você pode ficar viciado em um certo tipo de tristeza
Como renúncia até o final, sempre o final
Então, quando descobrimos que não podíamos fazer sentido
Bem, você disse que ainda seríamos amigos
Mas vou admitir que eu estava feliz que tudo acabou

Querido Amor Morto


Meu querido amor morto,

Se eu te dissesse a verdade sobre toda a nossa relação juntos, você se arrependeria ou se orgulharia de ter me conhecido? É estranho a gente ter se envolvido tão rápido, e tão sublimemente, para então a realidade entrar e nos chocar como ela sempre gostou de fazer. A realidade podia ser fléxivel, mas ela não foi, assim como os ciúmes, o orgulho, sentimentos estúpidos que os seres humanos carregam e que não servem para mais nada a não ser alimentar o Ego. Mas nossa relação acabou, e eu me arrependo por ter agido feito uma criança, querendo te ter em minhas mãos, me fingindo de experiente para te impressionar, justo você que não tinha vergonha de dizer sobre assuntos que eram tabus para os outros. Eu me lembro das nossas conversas e de como nos conhecemos, dentre aquela verdadeira multidão de sad peoples você me encontrou, e então começamos um sonho juntos, instantaneamente. Me pergunto hoje se todas aquelas palavras eram reais por sua parte, ou se também éramos duas sad peoples falando um pro outro o que gostaríamos de ouvir. Você me fez desejável, interessante, me compreendia enquanto pessoa, ia fundo no meu eu para descobrir mais, como um repórter investigador.
Mas acabou. E sinceramente, não sinto mais falta, faz tanto tempo que já esqueci. Não houve amizade depois de tudo, mas não faltaram tentativas por minha parte. Hoje te vejo como uma pessoa distante de mim, que um dia representou algo muito grande, mas que não passou de ledo engano. Mas não posso dizer que foi tudo ruim, você me ensinou ser mais forte, mais respeitável, menos emotivo e imbecil. Eu devo muito à você, e é por isso que sempre terá uma parte sua em mim, e eu sou grato por isso.
[M]

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

[Quote] A carta de Loretta para Chris em "Her"



Em "Her" (Ela, no Brasil), Theodore Twombly trabalha numa empresa onde sua função é a de exercer seu talento em escrita, mas dessa vez grafando cartas para pessoas como se fosse elas as quem a escreveu. Na primeira cena do filme temos ele em trabalho, escrevendo para um casal de idosos e remetendo a sua longa história juntos.
Para meu Chris,
Eu não sei dizer o quanto você significa para mim, parece até que foi ontem à noite que me apaixonei por você, deitada nua ao seu lado naquele apartamento minúsculo. De repente eu vi que fazia parte desse algo maior, assim como nossos pais, ou os pais deles. Antes disso eu vivia minha vida como se eu soubesse de tudo, e então esse clarão me atingiu e me despertou, essa luz era você. Eu não posso nem acreditar que já faz cinquenta anos que nos casamos, e até hoje todos os dias você ainda me faz sentir a menina que eu era quando você acendeu as luzes e nós começamos essa aventura juntos.
Feliz aniversário, meu amor
e meu amigo até o fim.
Loretta.

 
Me toca a forma como Theodore é tão parecido comigo. Não só pelo amor que deposita na escrita, mas pela forma como se comporta e como leva a vida.  
Pobre Theodore, sempre escrevendo a felicidade alheia sendo tão infeliz pessoalmente.
(Quote retirado do filme "Her" por Spike Jonze)

Analogia do sangue

 "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."
— Cecília Meireles
Quando eu penso em liberdade, penso em milhares de coisas aparentemente desconexas que correm soltas pela minha vida. Um peixe num aquário, meu sangue, minhas ações, uma casa, uma cidade, e enfim campos de grama cujo limite geográfico não parece ser o horizonte, talvez depois dele. Quando levo um corte profundo em alguma parte vital do meu corpo, sangue jorrará descontroladamente, atingindo o plano externo, em contato direto com o ar, uma superfície entranha, minha mão provavelmente, que tentará estancar o ferimento. Mas como deve ser pro sangue, que tão acostumado a percorrer minhas veias, de repente se encontrar fora delas? É certo que em poucos minutos ele coagulará, se transformando numa crosta dura e pegajosa e facilmente descartável, mas ele estará livre, nem que tenha sido por tão pouco tempo.
Eu tento pensar e trazer pra mim a analogia do sangue, em como ela faz tanto sentido no mundo. Sou como uma gota avermelhada, ou menos que isso, uma hemácia, um glóbulo vermelho, que precisa de veias para se locomover, um coração para bombear, e um corpo para suportar. Eu penso também em como a liberdade é uma coisa tão mentirosa, em como eu também não tenho total controle sobre minhas ações e corpo porque devo satisfações aos meus pais, ou pior que isso, à sociedade.
Pessoas são movidas por sonhos, objetivos, perspectivas, assim como a seiva vermelha é movida pelo coração, incansável, pulsante. Ninguém sobrevive sem sonhos ou um coração, penso eu cá com meus botões. Mas e se eu, assim como o sangue de um ferimento, resolvesse pular fora? Esquecer minhas veias, meu coração, meu corpo, renovar tudo, me sentir livre de verdade? Eu coagularia, morreria na praia? Lembro de como venho passando por desafios desde sempre, de como eu reajo a eles, e de como eu tenho uma vida pela frente.
"É preciso coragem, mas mais do que isso, liberdade para fazer escolhas e lidar com suas consequências."
[M]