Como uma tola criança, acreditei que o mundo melhoraria quando crescesse. O que tinha eu na cabeça naquela época? Tudo que eu pensei não aconteceu. Não foi um belo dia que eu pus os pés na rua e as pessoas me cercearam dançando e cantando e me atirando flores como num musical da Broadway, isso não aconteceu — nem nunca irá acontecer —. Comentei há pouco em algum texto que eu não gostaria de voltar no tempo, mas se bem que, eu até voltaria só para analisar bem o que era eu anos atrás. Riria dessa criança talvez, mas sobretudo, a compreenderia de alguma forma. A vida não melhora quando crescemos porque o mundo não perdoa os mais velhos, ela faz justamente espancar e espancar seus sentimentos até chegar certo ponto que eles não valem para mais nada, tornam-se inúteis, anestesiados. No mundo dos adultos (lê-se real), as pessoas não creem em Deus ou outro ser superior, elas creem em dinheiro, muito dinheiro, rios de dinheiro, e sexo. Por isso, devo pensar bem em como vai ser quando completarei 18 anos, em como devo agir para não ser morto na guerra atroz que o mundo se tornou.
Forever young, I want to be forever young. Alguns, como o hit oitentista do Alphaville descreve, tem desejo de estarem jovens para sempre. Dizer que a "Síndrome de Peter Pan" é uma tática psicológica para manter-se estável no mundo não é muito delicado, mas talvez seja isso mesmo. O mais irônico é que, enquanto adolescentes, nosso desejo mais latente é o de tornar-se maduro, mas à medida que o tempo passa e as pessoas e o nosso redor se modifica, percebemos que estar jovem é o que é. Como definiríamos nossa juventude, adolescência? Ainda quero ser herói de alguém, ainda quero conquistar meus objetivos e tirá-los do papel. Mas, mais ainda, quero fazer-me compreender e o mundo que a idade é a porcaria de um número estúpido que não necessariamente indica maturidade, tampouco experiência.
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