
Era uma vez um garoto cujo sonho era o de ser astronauta. Horas e mais horas passavam-se, e ele, no auge de sua curiosidade, empunhava livros e revistas sobre astronomia em todo lugar que passava. Seu planeta preferido do sistema solar era Saturno, os anéis do mesmo o encantavam, mas ele não sabia que Urano também tinha anéis. Imaginava, com calafrios, em como seria gélido viver no planeta Plutão, bem, até descobrir pouco tempo depois que ele não era mais considerado um planeta. Anos se passaram, e aquela criança passou a compartilhar o interesse em astronomia com a biologia marinha, queria ser os dois, estar em dois lugares tão remotos e inexplorados era especialmente excitante. Mais anos se passaram, a adolescência batia à porta, e ele esqueceu de tudo, voltando-se agora para tecnologia, queria ser um game design ou algo do tipo, algo bem mais crível que aqueles (tolos) desejos de criança. Embora jurasse, esse não foi seu objetivo definitivo, e aos quinze já descobrira um dom promissor com a escrita. Hoje em dia ele quer ser roteirista, viver de sua escrita, mas se pergunta se isso vai mudar algum dia, ele não quer perder esse interesse, deixar-se levar pela realidade. Viver um sonho é bem mais interessante quando o real é assustador, e portanto, não se pode deixar a vida moldar seus pensamentos, te prender em algum escritório trajando terno e gravata e digitando planilhas e coisas do tipo. Às vezes a inconstância é assustadora, e me pego hoje imaginando em como meus planos mudaram, encolheram. Mas sonhos são sonhos e não devemos julgá-los, porque é a comunicação mais profunda que temos com nós mesmos.
— [M]
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